SOBRE AS FAVELAS

fa·ve·la

/fəˈvelə/

substantivo
  1. arbusto ou árvore oriundo da região dos canudos; uma favela.
    “Populações de rápido crescimento nas favelas dos grandes centros urbanos”

HISTÓRIA

Favelas são comunidades urbanas de baixa renda, que foram estereotipados por séculos e ainda hoje vivem sob a sombra desses preconceitos, recebendo pouco ou nenhum apoio das autoridades públicas e dos pouquíssimos turistas. A cidade do Rio de Janeiro recebe cerca de 2,8 milhões de turistas por ano, mas apenas 1,5% de todos os turistas visitam as favelas do Rio. 

A cultura da favela no Rio nasceu no final do século XIX. Após a Guerra de Canudos na Bahia, soldados brasileiros marcharam para o Rio de Janeiro e esperaram nas encostas o governo entregar seu pagamento merecido. No entanto, eles nunca foram pagos e, consequentemente, nunca foram embora. Eles se estabeleceram em acomodações improvisadas em um bairro que ficou conhecido como Morro da Favela, em homenagem às favelas da Bahia, nas quais os soldados haviam morado anteriormente.

As oportunidades para trabalhadores não qualificados também atraíram ex-escravos, muitos dos quais foram libertados apenas em 1888. Com pouco planejamento sobre como esses escravos recém-libertados ganhariam a vida, o governo de certa forma aceitou essas construções irregulares já que não havia orçamento para a construção de moradias melhores. Centenas de milhares vieram de todo o Brasil para o Rio, formando comunidades nos arredores da então capital da república. Posteriormente, o local passou a se chamar Morro da Providência (fica perto do Cais do Valongo). Os migrantes também começaram a entrar no Rio em busca de trabalho nas décadas de 30 e 40.

O governo mudou-se para forçar os migrantes a sair para moradias mais adequadas em "parques proletários", mas a iniciativa falhou em erradicar os assentamentos. Durante a década de 1960, o governo novamente tentou acabar com as favelas, principalmente as próximas a destinos turísticos populares. Enquanto alguns deles foram eliminados, outros só se expandiram depois que as pessoas deslocadas se mudaram.

Em 1993, a cidade do Rio de Janeiro criou o plano Favela-Bairro. Consistia em empresas privadas que melhoravam a infraestrutura, como água encanada, coleta de lixo, iluminação pública etc. O projeto ocorreu em cerca de 150 comunidades. No entanto, em meio a uma crise financeira agravada pelo excesso de gastos olímpicos, o Brasil reduziu os orçamentos, incluindo a implementação de um teto de gastos de 20 anos para as despesas sociais a fim de tentar reduzir sua dívida maciça. Os limites de gastos afetam todos os setores públicos, incluindo educação, saúde, habitação e policiamento. Esses cortes afetam ainda mais os mais vulneraveis da nossa sociedade. Por causa da alta desigualdade social e pobreza, se gera muita discriminação para com as pessoas que vivem nesses locais.

Nas últimas décadas, o Brasil experimentou um aumento significativo na desigualdade de renda. Na verdade, de acordo com o Relatório do Banco Mundial, o Brasil possui uma das distribuições de renda mais desequilibradas do mundo. A urbanização, a migração rural e a crescente desigualdade de renda produziram uma concentração geográfica da pobreza, particularmente nas áreas metropolitanas do país. 

VIDIGAL

Ao ouvir a palavra favela, a maioria das pessoas pensava em traficantes de drogas e violência. Embora seja verdade que as favelas abriguem várias facções e às vezes experimentem os altos volumes da violência, o que a maioria das pessoas não sabe é que das favelas também nascem algumas das pessoas mais criativas, amigáveis ​​e acolhedoras que você já conheceu. Veja o Vidigal, por exemplo. 

O Vidigal é uma comunidade de quase 30.000 habitantes, formada por nordestinos, afro-brasileiros e estrangeiros, dos quais uma grande porcentagem tem entre 18 e 24 anos. Sua localização privilegiada na zona sul do Rio, entre o Leblon e São Conrado, oferece à comunidade vistas espetaculares do oceano, fácil acesso à praia e uma forte conexão com a natureza, incluindo a famosa montanha Dois Irmãos. A renda média é de aproximadamente R $ 1200, quase 20% acima do salário mínimo. Dito isto, o Vidigal ainda enfrenta problemas significativos no que diz respeito à infraestrutura precária, esgotos a céu aberto e eventuais violências de policiais e de facções. No entanto, a rica cultura e as pessoas proativas do Vidigal proporcionam um ambiente enérgico no qual você nunca precisará se preocupar em ser assaltado ou agredido, onde as crianças ainda brincam nas ruas e onde todos conhecem seus vizinhos. 

Aqui você encontrará um forte senso de comunidade, onde as pessoas se respeitam e se ajudam. Caminhando pelas ruas estreitas típicas da comunidade, você encontrará uma grande variedade de acontecimentos culturais, como a escola de Capoeira, aulas de percussão, esportes, teatro, música ao vivo e projetos sociais. Há muita coisa para se fazer e ver aqui. A praia do Vidigal se esconde da estrada principal onde o unico acesso é uma escadaria sinuosa. É mais apreciado pelos habitantes locais e muito mais seguro que as demais praias turísticas. A cena de arte de rua do Vidigal é incrível. Paredes inteiras são telas gratuitas para artistas talentosos do Rio que as usam como uma saída criativa. O Vidigal também é privilegiado por estar localizado perto do oceano, no pé do morro Dois Irmãos e a um custo muito mais acessível do que "no asfalto".

A favela não deve ser vista em termos de miséria, drogas e crime, mas um lugar em que pessoas trabalhadoras passaram décadas investindo e construindo bairros sem apoio do governo. As favelas não são 'redutos de pobreza', as pessoas que vivem nessas comunidades não são ignorantes ou complacentes. Muito pelo contrário, eles possuem um espírito de "faça você mesmo" e uma mentalidade de "construa você mesmo", com os quais a sociedade convencional brasileira tem muito a aprender. 

OBSTÁCULOS E OPORTUNIDADES

0R$

é o salário médio por mês

0%

não tem um sistema formal de saneamento

0%

de crianças de 8 anos não sabem ler nem escrever

0%

de queda na taxa de homicídios entre 2018 e 2019

0%

de habitantes têm acesso à internet

0+

escolas de samba estão localizadas em favelas

CONHEÇA OS LOCAIS

HISTÓRIAS

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